Existem destinos dos quais esperamos muito e eles acabam entregando menos do que prometem. E existem aqueles lugares dos quais não esperamos quase nada e que, sem qualquer esforço, nos conquistam completamente. Chios foi exatamente isso para mim. Uma bela surpresa.
Se você me acompanha aqui no O Mundo Me Chama, sabe que eu sou um defensor do slow travel. Gosto de observar os lugares sem pressa, caminhar sem roteiro definido, sentar em uma taverna e deixar o dia acontecer. E Chios parece ter sido feita sob medida para isso.
Nós passamos cinco noites e quatro dias inteiros explorando a região. Embora tenhamos aproveitado cada segundo (de sábado a terça-feira, pegando o ferry de volta na quarta de manhã), saí de lá com aquele gostinho de que queria mais. Chios é uma ilha imensa, vibrante e que te convida o tempo todo a se movimentar e descobrir algo novo.
Se você está planejando sua viagem, preparei este guia com as melhores dicas de Chios e tudo o que realmente vale a pena incluir nos seus dias pelo norte do Mar Egeu.
Confira também:
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Quantos dias ficar na ilha de Chios?
Se você quer saber quantos dias ficar em Chios, a minha recomendação é reservar no mínimo 5 dias inteiros no seu planejamento. Estamos falando da quinta maior ilha da Grécia.
Quatro dias inteiros são suficientes para ver respirar a ilha, mas a ilha ferve em experiências interessantes. Para explorar os vilarejos fortificados com calma, curtir as praias selvagens e aproveitar a rica gastronomia local sem correr contra o relógio, cinco dias ou mais serão ideais para manter o ritmo de slow travel.
Como chegar em Chios: logística cirúrgica no Mar Egeu
Nós chegamos a Chios vindos de Lesbos, nossa parada anterior nessa jornada pelas ilhas do Norte do Mar Egeu. Fizemos o trajeto de ferry com a companhia Superfast Ferries. A viagem dura exatas 3 horas e é extremamente confortável, feita em navios grandes, modernos e muito estáveis.
Viajar por essa região da Grécia exige uma organização quase cirúrgica. Diferente das Cíclades (como Mykonos), onde há barcos a cada hora, no norte do Egeu a logística é restrita. Algumas ilhas contam com apenas um ou dois ferries por semana. Portanto, o seu roteiro precisa ser desenhado milimetricamente para as datas baterem, principalmente se você planeja fazer um island hopping.
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Como se locomover em Chios: Vale a pena alugar carro?
Para quem quer descobrir como se locomover em Chios, a resposta é direta: assim como na quase totalidade das ilhas gregas (com raríssimas exceções), a melhor maneira de explorar a região é alugando um carro. Chios é a quinta maior ilha do país, as distâncias são longas e o transporte público não atende as praias selvagens e vilarejos medievais com a frequência que um viajante precisa.
Nós fizemos o aluguel de carro em Chios logo no desembarque e o devolvemos no mesmo local antes de partir. Ter a liberdade de dirigir pelas estradas, parar no meio do caminho para admirar uma praia e ditar o próprio ritmo é indispensável para uma experiência de slow travel.
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Chios e a Mastiha: O coração da ilha
Para entender o que faz de Chios um lugar tão singular, primeiro é preciso entender a mastiha. Ela é uma resina natural produzida a partir de uma variedade específica da árvore Pistacia lentiscus, cultivada quase exclusivamente no sul da ilha. Por séculos, foi considerada uma joia extremamente valiosa e continua sendo a maior riqueza local.
A mastiha está presente em absolutamente tudo: nos drinks, nos cosméticos, nos sorvetes, nos doces tradicionais e nos cafés. Em Chios, tudo parece estar conectado a ela.
Chios Mastiha Museum
Se existe uma atração obrigatória na ilha, é o Museu da Mastiha. Recomendo fortemente que esta seja uma das suas primeiras visitas. Entender a história desse produto logo no início vai mudar a forma como você enxerga a arquitetura e a cultura da ilha nos dias seguintes.
Localizado no coração da região produtora, o museu impressiona antes mesmo de entrarmos. No meio de uma paisagem rural praticamente intocada surge uma construção contemporânea, elegante e perfeitamente integrada à natureza. Lá dentro, você descobre o processo quase poético da colheita: pequenos cortes são feitos na casca da árvore e ela lentamente libera gotas de resina que endurecem naturalmente antes de serem recolhidas à mão.
Em 2014, esse know-how tradicional foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A entrada custa cerca de €8 e vale absolutamente a visita.
Os Vilarejos de Chios (Mastichochoria)
Os chamados Mastichochoria (ou vilarejos da mastiha, em grego) são as vilas medievais localizadas no sul da ilha onde a resina é extraída há séculos. Elas foram construídas como verdadeiras fortalezas em formato de labirinto para proteger o precioso produto de ataques piratas. Existem mais de 20 vilas na região, mas as duas que nós visitamos e que são paradas imperdíveis são:
Pyrgi: O vilarejo pintado à mão
Pyrgi é, sem dúvida, o mais famoso de todos. Suas fachadas são inteiramente decoradas com padrões geométricos pretos e brancos gravados no reboco, uma técnica tradicional chamada xysta. O efeito visual cria uma paisagem urbana única em toda a Grécia. É o lugar perfeito para guardar o mapa no bolso e simplesmente caminhar. Cada esquina ali rende uma foto digna de moldura.
Armolia e sua tradição de cerâmica
Menor e muito mais pacato que Pyrgi, possui um charme residencial delicioso e é o principal centro produtor de cerâmica artística da ilha.
Dica de Ouro – Sfikakis Pottery
Ao sair de Armolia, faça uma parada na Sfikakis Pottery. Há décadas esta família produz peças artesanais utilitárias e decorativas de altíssima qualidade utilizando técnicas tradicionais. Além de ser o melhor lugar para comprar lembranças autênticas e sofisticadas da ilha, você pode observar parte do processo de produção acontecendo diante dos seus olhos no ateliê.
Outros vilarejos em Chios e relíquias que valem a visita
Anavatos: A cidade fantasma de Chios
Construída estrategicamente no topo de uma formação rochosa, Anavatos nasceu originalmente para servir como refúgio e ponto de observação contra ataques de piratas. Mas caminhar por entre suas ruínas silenciosas de pedra evoca um respeito profundo pela história, pois o motivo de ela ser uma cidade fantasma hoje é profundamente dramático.
A vila foi o último bastião de resistência dos habitantes durante o terrível Massacre de Chios, em 1822, quando tropas otomanas invadiram a ilha durante a Guerra de Independência da Grécia. Após um cerco brutal, a fortaleza foi invadida e quase toda a sua população foi morta ou escravizada.
Décadas mais tarde, em 1881, um terremoto violento destruiu o que restava das estruturas medievais. Os poucos sobreviventes decidiram abandonar de vez a cidadela no topo do desfiladeiro e fundaram uma nova vila na base da montanha.
Avgonyma
Bem pertinho de Anavatos fica Avgonyma, uma vila medieval impecavelmente preservada. A lenda local conta que ela foi fundada no século XI pelos próprios operários bizantinos que construíram o mosteiro de Nea Moni e decidiram se fixar na ilha.
Suas casinhas de pedra escura foram erguidas coladas umas nas outras e com janelas minúsculas para servirem de barreira contra os ataques piratas da Idade Média. Após quase desaparecer com o abandono nos anos 60, a vila foi restaurada com maestria, mantendo sua essência intocada.
É um lugar pacato que exala tranquilidade e ferve nas tavernas da praça central no fim do dia, sendo o ponto perfeito para assistir a um pôr do sol inesquecível no Mar Egeu.
Chios Town: O charme da capital autêntica
A capital da ilha merece um passeio descompromissado. É aqui que os ferries aportam e onde o pulso da vida real dos moradores acontece. Caminhe pela avenida do porto, observe os antigos moinhos de vento de pedra que marcam a paisagem e perca-se pelas ruas internas repletas de cafés charmosos.
Chios Town mantém aquele visual bruto e autêntico que muitas capitais de ilhas gregas acabaram perdendo ao longo dos anos para o turismo de massa.![]()
- Não deixe de conhecer os moinhos de vento: Eles são o grande cartão-postal de Chios. Nós fomos visitá-los à noite, logo depois do nosso jantar inesquecível no Kopayo e foi uma experiência fantástica. Ver os moinhos todos iluminados, refletindo no mar escuro sob o céu estrelado, traz uma vista totalmente fora do óbvio. A noite ali é linda, super pacífica e vale muito a pena o passeio depois que o sol se põe.
Nea Moni: Patrimônio Mundial da UNESCO
Poucos visitantes imaginam que Chios abriga um dos monumentos religiosos bizantinos mais importantes do país. O mosteiro de Nea Moni foi fundado no século XI e esconde mosaicos centenários em ouro que são verdadeiras obras-primas.
Quando visitei o complexo no final da tarde, tive a sorte de encontrá-lo completamente vazio. O silêncio absoluto e a arquitetura imponente transformam a visita em uma experiência mística.
Nota: Os horários de funcionamento mudam constantemente conforme a temporada, então vale checar antes de subir as montanhas.
Quais praias visitar na ilha de Chios?
Se as praias não estavam entre as minhas maiores expectativas para o norte do Egeu, elas certamente terminaram como uma das grandes surpresas da viagem. O mar aqui guarda cores inacreditáveis e uma deliciosa sensação de exclusividade.
Agios Emilianos (Monolia)
Foi a praia selvagem que emoldurou a nossa estadia. Acordar todas as manhãs com aquela água absurdamente cristalina e um ambiente pacato foi um privilégio de luxo. Não existe estrutura turística de quiosques na areia, o que garante a sensação deliciosa de termos uma praia quase exclusiva.
Agia Fotini
Fica coladinha com Agios Emilianos e é o verdadeiro polo de estrutura daquela região. Nós não chegamos a passar o dia curtindo a praia na areia, mas passávamos por lá direto para ir ao supermercado, jantar ou tomar café de manhã.
A vila é super charmosa e achei o ambiente muito animado! À beira-mar, você encontra excelentes restaurantes, cafés e beach clubs com espreguiçadeiras ótimas montadas de frente para a água. Se você está procurando uma opção de praia com infraestrutura em Chios, Agia Fotini é a escolha ideal.
Elinta Beach
Protegida por uma baía profunda e cercada por pinheiros, possui águas tão transparentes que os barcos parecem flutuar no ar.
Dica cirúrgica do blog: Como a praia é totalmente deserta, antes de descer para Elinta, faça uma parada na vila de Anavatos e compre comida para levar na Taverna To Petrino. Saborear uma salada grega fresca e um souvlaki com uma cerveja artesanal Fresh Chios Beer gelada naquele cenário foi inesquecível.
Trachili Beach
Uma das praias mais bonitas que nós visitamos em toda a viagem! Ela fica bem coladinha com Elinta. Inclusive, quando estávamos a caminho de Elinta, passamos por perto de Trachili e eu olhei da estrada e pensei: “Gente, eu preciso vir aqui visitar!”. O mar ali tem um azul simplesmente ridículo de tão lindo. Do carro mesmo eu já brinquei: “Que azul é esse?!”.
Acabou que fomos primeiro para Elinta e logo depois, esticamos até Trachili. Por ser uma praia mais aberta, ela estava ventando bastante no dia da nossa visita. Talvez tenhamos dado um pouquinho de azar com o vento naquele dia específico mas a cor da água é algo tão fora do normal que eu super recomendo a visita.
Mavra Volia
É a praia de Chios mais famosa e visualmente impactante. Formada inteiramente por pedras vulcânicas perfeitamente negras e polidas, ela cria um contraste dramático com o azul-escuro profundo do mar. A dica de ouro para os leitores do blog é caminhar alguns minutos além da primeira praia: você cruzará um pequeno acesso na rocha e descobrirá enseadas menores, cercadas por falésias dramáticas e impressionantes.
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